Vivemos à margem, nas margens...

Vivemos à margem, nas margens...

Este é o pedaço de território onde queremos partilhar as nossas aventuras ao longo do comprido rio que temos vindo a seguir. Dois olhares diferentes, duas vistas distintas, mas sempre guiadas pelo mesmo farol...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Conversas de Cama (E Além-Cama) #8

Sobrevivemos à tempestade da noite de 18 para 19. Uma por consciência, outra por inconsciência...

(3 da manhã)
A.G.: *acorda* Então, amor, estás acordada? Passa-se alguma coisa?
T.S.: Não, não, descansa, dorme.

(4 da manhã)
A.G.: *acorda* Não consegues dormir? Então, porquê?
T.S.: Por nada, descansa.

(5 da manhã)
A.G.: *acorda* Estou a ficar preocupada, queres que faça alguma coisa para te ajudar a dormir? Queres um copo de leite quente? Ou água?
T.S.: Não é nada, já passa.

(6 da manhã)
A.G.: *acorda* Já dormiste alguma coisa?
T.S.: Uns bocadinhos.

(7 da manhã)
A.G.: *acorda* Amor, estás outra vez acordada?
T.S.: Ainda mal dormi. Mas está tudo bem. Descansa.

(8 da manhã: as duas levantam-se)
A.G.: Porque será que não conseguiste dormir? É por causa da cama, não é? Ficas desconfortável *fica triste*
T.S.: A.G, tu ouviste a tempestade? Eu não te disse nada para não te assustares.
A.G.: Tempestade? Oh, só ouvi chuva.
T.S.: Não ouviste os estores a bater?
A.G.: Não...
T.S.: Nem as árvores a cair?
A.G.: ÁRVORES A CAIR? Não!
T.S.:... a cair em cima de dois carros mesmo aqui ao lado do teu prédio.
A.G.: A sério?
T.S.: Nem os alarmes dos carros a apitar?
A.G.: ....
T.S.: Nem a chuva e o vento a assobiar?
A.G.: ...
T.S.: ....
A.G.: Estás a exagerar. Não ouvi nada. Só choveu o bocadinho.

(A.G. vai à janela, vê árvores arrancadas, carros danificados, muros partidos, semáforos dobrados, poças de água...)

A.G.: Ok, não me admira que não tenhas dormido.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Conversas de cama (e Além-Cama) #7

Todos os dias, salvo raríssimas excepções, falamos ao telemóvel antes de dormir. Às vezes, quando o sono chega e começamos a adormecer, dizemos alguns disparates super engraçados que eu vou anotando, foi o que aconteceu ontem à A.G.:

T.S.: Amor, amanhã queres que compre alguma coisa na loja americana para ti?
A.G.: *breve silêncio* Sim, rebuçados do James Bond... *silêncio* Que é que eu disse??!! Estava a adormecer... Desculpa! 
T.S.: Disseste que querias rebuçados do James Bond...
A.G.: AHAHAHAH!

Por acaso nunca vi por lá rebuçados do James Bond, mas fiz uma pequena pesquisa e afinal já existiram pastilhas elásticas do James Bond. Aqui tens, amor:




terça-feira, 15 de janeiro de 2013

#1 - Primeiro Livro do Ano

#1- The Hobbit


Autor: J. R. R. Tolkien

  • Paperback: 400 páginas
  • Publisher: HarperCollins; Film tie-in edition edition (30 Aug 2012)
  • Language: English


Este livro, em conjunto com o filme homónimo, ensinou-me uma grande lição de vida: Quando não entendes qualquer coisa, não a julgues. Deixa-a de lado, cresce durante alguns anos, e volta a pegar nela. Se ainda não a conseguires entender, volta a repetir o processo, até a compreenderes, ou até te fartares de lhe dar importância.

Era uma miúda quando vi a trilogia do Senhor dos Anéis. Gostava muito, mas não era uma paixão. Tentei ler o Senhor dos Anéis, e não passei da introdução. Fiquei aborrecida e achei demasiado fictício e complexo para poder ser "enjoyable".

Os anos passaram, e eu fui crescendo, até saír o filme "The Hobbit" e ganhei uma sede de ler o livro: comecei a lê-lo e foi amor à "segunda" vista.


The Hobbit - o livro é deliciosamente genial. Melhor, é um ensaio para o deliciosamente genial Senhor dos Anéis. Tolkien não se dá ao trabalho de desenvolver extraordinariamente as personagens deste conto (com excepção do nosso pequeno Bilbo Baggins, Gollum e Gandalf), mas “rascunha” aquilo que seria uma história original de um mundo tão complexo e detalhado que poderia ser uma realidade alternativa.

Contado num tom tradicional (que é algo que já não se faz muito e que eu adoro), The Hobbit é como mergulhar num bolo de chocolate dentada, após dentada: quanto mais lemos, mais começamos a apreciar e só queremos saber o que vem a seguir.

The Hobbit é muito completo: mapas, canções, ...: J. R. R. Tolkien estava mesmo a preparar a sua famosa trilogia. E por se tratar de um “rascunho” tem “falhas”: a história tem passagens muito rápidas e que por vezes decepcionam, mas se pensarmos de que é um mundo e que dentro da sua “fantasia” as coisas decorrem como decorriam num mundo normal (isto é: nem tudo é expectável: muito é inesperado), conseguímos apreciar as reviravoltas.

O filme está muito bem adaptado e Martin Freeman é um deleite absoluto. Muitas passagens do livro estão literalmente, sem tirar nem pôr, no guião do filme (percebe-se porquê: a escrita de Tolkien é altamente visual), e a cena de enigmas entre Gollum e Frodo foi muito bem conseguida e é cópia integral do livro. O tom do The Hobbit é mais leve do que o do Senhor dos Anéis, o que o torna um filme mais interessante e menos pesado. Foi por admirar a capacidade de criar um mundo complexo e “credível”, com alfabetos, histórias e canções próprias, que me apaixonei por esta saga de J. R. R. Tolkien, e é por isso que já vêm a caminho os restantes livros, directamente para a minha biblioteca.
Recomendo leitura em Inglês e o filme em 3D, com 48Frames.



Classificação do livro:

Épico: ****
Escrita: *****
Fio condutor da história: ****
Personagens: ***

Excertos:

"Far over the misty mountains cold
To dungeons deep and caverns old
We must away ere break of day
To seek the pale enchanted gold."



"'I come from under the hill, and under the hills and over the hills my paths led. And through the air. I am he that walks unseen. I am the clue-finder, the web-cutter, the stinging fly. I was chosen for the lucky number. I am he that buries his friends alive and drowns them and draws them alive again from the water. I came from the end of bag, but no bag went over me. I am the friend of bears and the guest of eagles. I am Ring-winner and Luckwearer; and I am Barrel-rider.'"

"Never laugh at live dragons, Bilbo you fool!" he said to himself, and it became a favorite saying of his later, and passed into a proverb."