Vivemos à margem, nas margens...

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Este é o pedaço de território onde queremos partilhar as nossas aventuras ao longo do comprido rio que temos vindo a seguir. Dois olhares diferentes, duas vistas distintas, mas sempre guiadas pelo mesmo farol...

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Preconceito dentro de preconceito dentro de preconceito....

Li um estudo recentemente (e não encontro o raio do link, mas se encontrar coloco-o aqui) cujos resultados chegam a uma conclusão que eu já andava desconfiada e que me deixa triste e desiludida.

O estudo dizia que uma elevada % de pessoas dentro da comunidade LGBT, quando conhecia lésbicas com cabelos compridos, cara e unhas pintadas, sapatos altos, roupa dita "feminina" achava que, de certa forma, essa mulher era "menos" lésbica ou que estaria a passar "uma fase".

WHAT?

Ok, fora da comunidade eu até acredito que exista esse preconceito. Não compreendo, mas acredito. Agora, dentro da comunidade? Segundo parece é mais um pensamento inconsciente, uma espécie de primeira impressão, do que propriamente um argumento construído, but still.

Eu já tinha tido esta sensação, até pessoalmente, mas quis ignorá-la porque pensei que fosse só isso: uma sensação. Mas afinal.....havia outra....mais lésbica que eu porque tinha o cabelo curto... e por ela andava louca, porque se tinha cabelo curto de certeza que era mais gay que euuu....


Se calhar antes de combatermos o preconceito fora, temos de trabalhar a partir de dentro. (No pun intended).

8 comentários:

Nikkita disse...

A sério? Bem...eu não me enquadro no suposto estereotipo, mas nunca senti ou pensei que dentro da comunidade lgbt me achariam menos lésbica que uma pessoa de cabelo curto... Fora, claro que há esse preconceito, mas dentro...? É irónico, no mínimo....

A.G. disse...

Nikkita, também fiquei surpreendida. Não tenho a percentagem em mente, mas como disse, vou procurar. Pessoalmente não o senti pelo tamanho do cabelo (até porque está bastante curto agora xD) mas por me vestir ou "arranjar" de certa forma, sim. Mas como disse, foi uma "sensação". Nunca ninguém me disse verbalmente. =)

Nikkita disse...

A.G., mesmo sem ninguém to dizer verbalmente, o sentires isso já diz muito! xD

Márcia V. disse...

Então quer dizer que segundo esse estudo as lésbicas mais femininas(por assim dizer)não são consideradas tão lésbicas pelas próprias lésbicas?Se acontece é ridículo,é o que me ocorre dizer.Nunca senti isso mas sei que na comunidade LGBT existe um pouco de preconceito em relação as pessoas Bi e aos transexuais por exemplo,e pior que o preconceito dos heterossexuais é o que existe na própria comunidade.

Carla |O| disse...

O preconceito existe em todo o lado, incluindo no nosso meio. E se calhar existe de forma mais acutilante no nosso meio. Na "comunidade". Se não é por pareceres pouco lésbica é por pareceres de mais. Será sempre por alguma coisa...

O importante é que não se ligue a rótulos. Cada um é como é. Quem gosta gosta, quem não gosta... temos pena.

Maria disse...

Todas/os nós temos preconceito relativamente a alguma coisa e se há lugar, onde nos perscrutam minuciosamente, é precisamente dentro dos ambientes a que julgamos pertencer e onde pensamos (erradamente) que podemos descontrair, que nos entendem. Não nos entendem, e curiosidade há ao virar de todas as esquinas.
E já agora, fundamento o que digo com uma partilha:
Sinto-me mais observada junto de pessoas que se dizem como eu, do que entre outras que se denominam heteros.
Não sei se será preconceito ou apenas curiosidade, necessidade de fantasiar.
Rótulos, é o que não falta por aí.

Dantins disse...

Custa-me acreditar que assim seja...
Não faz qualquer sentido acreditar que um determinado estereótipo (ultrapassado) deve representar a comunidade lésbica.
Eu acredito que a diversidade das pessoas numa determinada "comunidade" é extremamente positivo e não gosto nada da ideia de que uma lésbica não pode/deve ser feminina. Eu gosto de uma mulher e isso não choca minimamente com o ser feminina :D

A.G. disse...

Dantins, não podia concordar mais. Se gosto de uma mulher, gosto inclusivé da sua "feminísse" (achei que era uma palavra querida =p).
Ainda não encontrei o artigo que li, mas encontrei um mais antigo (1999) que era referenciado nesse mais recente http://www.acrwebsite.org/volumes/gender/v06/Paper%2033%20(p%20%20355).pdf